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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

QUEM FOI KIMPA VITA

Kimpa Vita (Dona Beatrice)
c. 1682 a 1706
O Movimento Antoniano
Congo / República Democrática do Congo / Angola


Kimpa Vita foi uma profeta feminina popular no reino do Congo, uma precursora das figuras proféticas das igrejas independentes e a criadora de um movimento que utilizava os símbolos cristãos, mas revitalizou as raízes culturais tradicionais do Congo.

A segunda metade do século XVII foi caracterizada por uma desintegração cultural e um desarranjo político no Congo (território que hoje faz parte dos atuais Congo, Zaire e Angola). As forças portuguesas haviam vencido o Congo, a cristandade de AFONSO I havia caído no sincretismo, uma mistura do cristianismo com as religiões tradicionais da África, e três famílias reais lutavam pelo poder. Dentro desse vácuo cultural e político, diversos profetas messiânicos surgiram para proclamar suas visões sócio-religiosas. A mais importante entre eles foi Kimpa Vita, uma jovem moça que acreditava estar possuída pelo espírito de Santo Antônio de Pádua, um santo católico popular e realizador de milagres. Ela começou a pregar na cidade congolesa de San Salvador, a qual declarou ser desejo de Deus que fosse novamente tornada capital. Seu apelo pela unidade obteve um grande apoio entre os camponeses, que migraram em massa para a cidade, identificada por Kimpa como a cidade bíblica Belém. Ela disse a seus seguidores que Jesus, Maria e outros santos cristãos haviam sido realmente congoleses. Kimpa conspirou em conjunto com o general, súdito de Pedro IV, um dos que lutavam pelo trono, porém foi capturada. Tanto Kimpa quanto seu bebê - concebido por seu "anjo da guarda" - foram queimados na fogueira por heresia, mediante instigação dos missionários capuchinhos.
O movimento Antoniano, iniciado por Kimpa, sobreviveu a ela. O rei do Congo, Pedro IV, utilizou-o para unificar e renovar seu reino. As idéias de Kimpa perduraram entre os camponeses, aparecendo em diversos cultos messiânicos até que, dois séculos depois, tomou nova forma na pregação de Simon Kimbangu.
Norbert C. Brockman
A polémica instalada em torno do pensamento histórico da profecia de Beatriz Kimpa Vita, figura emblemática da angolanidade, queimada numa fogueira pelos portugueses, em 1706, em Mbanza Congo, no Zaire, é reflectida neste espaço do “Caderno Fim-de-Semana”.
Aos 24 anos de idade, segundo palavras do filósofo angolano José Calhau, professor universitário na província do Zaire, Dona Beatriz Kimpa Vita, como era carinhosamente tratada, foi lançada viva para uma fogueira, na companhia do seu filho, por ter reivindicado de forma resoluta o fim da escravidão a que os negros eram sujeitos pelos colonizadores, na antiga cidade de São Salvador do Congo, hoje Mbanza Congo, capital da província do Zaire.
Fazendo jus às investigações realizadas durante quatro anos, em Mbanza Ngungu, região do Baixo Congo, na República Democrática Congo, onde reuniu todos os legados científicos que serviram de base ao seu trabalho, em potenciais bibliografias, José Calhau fez uma analogia histórica sobre a trajectória da vivência de Kimpa Vita e lembrou as reacções apresentadas pela senhora, a julgar pelas injustiças dos colonizadores, acto que lhe custou a vida muito cedo.
Para Zolana Avelino, sociólogo, falar de Kimpa Vita é fazer recurso a uma história de relevo, versada na cultura Congo. “Os contos dela espelham a profeta que era e que doutrinou e defendeu a revitalização das raízes mais profundas da cultura tradicional do Congo, através da religião “Bundu die Congo”. Era, também, considerada a líder que, na época, inspirou o lançamento, em Mbanza Congo, de um movimento de messianismo virado para a preservação da cultura tradicional africana, que teve uma adesão espectacular por parte dos fundadores da igreja kimbanguista de Simão Kimbangu, na República Democrática do Congo, Simão Gonçalves Toco, em Angola, Simão Mpidi, também na RDC, e André Matsowa, no Congo Brazzaville.
O objectivo central desse movimento de messianismo tradicional, acrescentou o sociólogo, tinha como base fulcral o resgate e o relançamento dos valores dos povos africanos, que na época ressentiam a invasão da acção colonizadora para melhor implantar o cristianismo em África. Após a sua morte, tal como referiu o sociólogo, o movimento do messianismo tradicional perdeu expressão e acção de continuidade. Assim, os colonizadores galvanizaram-se de “pedra e cal” e conseguiram impor o cristianismo até aos dias de hoje.
Depoimentos
Zolana Avelino prosseguiu dizendo que até ao momento a igreja kimbanguista, que tem como líder espiritual o neto do fundador Simão Kimbangu, Kiangani, reconheceu perante o governador do Zaire, Pedro Sebastião, durante a visita que este efectuou recentemente à sede central daquela congregação religiosa, na localidade do Nkamba, na RDC, que o município de Mbanza Congo é tido como sendo a terra das origens de grande parte dos povos de África. O líder espiritual da igreja kimbanguista manifestou a vontade de se deslocar a Mbanza Congo para visitar o local onde repousam os restos mortais de Dona Beatriz Kimpa Vita, para uma homenagem em prol da doutrina e valioso legado que deixou profetizado.
Para Celestina Paixão, estudante universitária, Kimpa Vita desmistificou todas as agruras impostas contra a cultura Congo. Desempenhou importante papel na luta pela pacificação dos espíritos. Prova eloquente disso, sublinhou a estudante, como símbolo de reconhecimento, o seu nome é valorizado. O valor é justificado por ser defensora confessa da paz e do fim da escravidão em Angola. Hoje, o seu nome é atribuído a várias instituições de ensino no país e em Mbanza Congo as autoridades deram o seu nome a uma avenida.
Segundo Celestina Paixão, além de ser, naquela época, uma profeta tradicional, Kimpa Vita, ao que se diz, foi uma jovem mulher temida pelos colonos pela forma frontal e aberta como se dirigia sempre que constatasse actos de violação de direitos humanos contra os seus compatriotas. Abordado pelo Jornal de Angola, o director da Escola Superior Politécnica de Mbanza Congo, Duku de Tshiangolo, defendeu a necessidade da preservação da figura de Kimpa Vita, por tudo aquilo que fez. Explicou que Dona Beatriz Kimpa Vita deixou um legado histórico ao país, revolucionou o pensamento da liberdade do homem angolano e declarou a luta contra a escravidão, a opressão e o divisionismo para pôr cobro às sevícias que o colonialismo português impunha aos povos de Angola. 

Igreja
De acordo com o filósofo José Calhau, “foi uma pena enorme porque, após a morte de Kimpa Vita, a região Congo esteve sujeita a abusos redobrados e há quem tenha utilizado a igreja como meio de exploração e opressão, para melhor reinar e causar prejuízos nefastos e perseguições aos fiéis que professavam, às escondidas, a linha de Kimpa Vita, ao passo que outros portugueses revolucionavam a religião como fonte de poder e dominação das pessoas negras de competência rara”.
José Calhau, explicou que “em nome da religião, na época, foram também articuladas guerras injustificáveis para poder abafar a liberdade e a honra do homem angolano, e da etnia Congo em particular, por apresentarem forte resistência às humilhações.”
Profeta tradicional
Kimpa Vita, segundo o professor Calhau, era tida como líder incontestada nas suas posições. “Aquela mulher histórica angolana já escrevia livros que retratavam temas sociais em defesa dos aborígenes da região. Manifestava total indignação nas suas obras literárias contra o espírito católico, que reinava na sua cidade natal, Mbanza Congo, a respeito da continuidade do obscurantismo no seio dos povos da sua região e do tráfico de seres humanos que na altura era prática corrente”.
Ainda muito jovem, aos 18 anos de idade, segundo José Calhau, Kimpa Vita, que nasceu em 1684, já exprimia sentimentos de repulsa contra os sofrimentos e privações dos seus compatriotas submetidos a trabalhos forçados e maus-tratos, vítimas de escravidão. Sobressaía nela a vontade de dirigir uma frente declarada de luta contra o regime colonial, devido à onda de injustiças vividas. Dona Beatriz Kimpa Vita contestava o fanatismo abraçado por alguns compatriotas atraídos por receios e medo. “Os seus ensinamentos continuam patentes na memória dos povos”, disse o professor José Calhau.

13 de Novembro de 2011 – Jornal de Angola

FONTE:KIMPA VITA


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

CONHEÇA ÁFRIKA - XANGÓ REI DO TROVÃO E MACHADO



Xangô 

Xangô é um substantivo masculino singular e tem seu termo originário da língua iorubá, trazendo como significado “senhor do fogo oculto”.
Xangô é o nome dado a uma entidade ou orixá muito venerado pelas religiões afro-brasileiras.
Xangô, para essas religiões, é o Deus dos trovões, raios, cargas elétricas e do fogo. Essa entidade, de acordo com a lenda dos povos antigos, era violenta e justiceira, além de ser atrevida e viril. Ele castigava os ladrões, malfeitores e mentirosos.
Relacionado com outras religiões e mitologias, Xangô seria o Deus Zeus – da mitologia grega –, o Tupã para o povo Tupi-Guarani, o Odin para o povo nórdico e Júpiter na mitologia romana.


Etimologia
"Xangô" é um termo procedente da língua iorubá. África

Como personagem histórico, Xangô teria sido o quarto Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyo", filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian. Xangô teve três divindades como esposas: Oyá, Oxum e Obá.

Xangô é o orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de xangô. Xangô é o Orixá do Poder, ele é a representação máxima do poder de Olorum.

Sacerdote de Sango - Magba
Sacerdotisa de Sango - Iya Magbá
Atabaque de Sango - Ilu batá
Toque favorito - Alujá
Fruto favorito - Orogbo
Bichos - Akunko, Agutan, Ajapá
Comida - Amalá

Foi ele quem criou o culto de Egungun, sendo ele o único Orixá que exerce poder sobre os mortos. Xangô é a roupa da morte, por este motivo não deve faltar nos Egbòs de Ikù e Egun, o vermelho que lhe pertence. Ao se manifestar nos Candomblés, não deve faltar em sua vestimenta uma espécie de saieta, com cores variadas e fortes, que representam as vestes dos Eguns.


Xangô por Carybé.
Xangô foi o quarto (ou o terceiro) rei lendário de Oyo, na Nigéria, tornado orixá de caráter violento e vingativo, cuja manifestação são o fogo, o Sol, os raios, as tempestades e os trovões. Filho de Oranian, teve várias esposas, sendo as mais conhecidas: Oiá, Oxum e Obá. Xangô é viril e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Sua ferramenta é o Oxê: machado de dois gumes.

Enquanto Oxóssi é considerado o rei da nação de Queto, Xangô é considerado o rei de todo o povo iorubá. Orixá do fogo, dos raios e das tempestades, Xangô foi um grande rei que unificou todo um povo. Foi ele quem criou o culto de Egungun. Muitos orixás possuem relação com os Egunguns mas ele é o único que, verdadeiramente, exerce poder sobre os mortos, Egungun. Xangô é a roupa da morte, Axó Iku: por este motivo, não deve faltar nos Egbòs de Ikù e Egun, o vermelho lhe pertencendo. Ao se manifestar nos candomblés, não deve faltar, em sua vestimenta, uma espécie de saieta de tiras chamada banté, com cores variadas e fortes, que representam as vestes dos eguns.
Xangô era forte, valente, destemido e justo. Era temido, e ao mesmo tempo adorado. Comportou-se em algumas vezes como tirano, devido a sua ânsia de poder, chegando até mesmo a destronar seu próprio irmão, para satisfazer seu desejo. Filho de Yamasse (Torosi) e de Oraniã, foi o regente mais poderoso do povo yorubá. Ele também tem uma ligação muito forte com as árvores e a natureza, vindo daí os objetos que ele mais aprecia, o pilão e a gamela; o pilão de Xangô deve ter duas bocas, que representam a livre passagem entre os mundos, sendo Xangô um ancestral (Egungun). Da natureza, ele conseguiu profundos conhecimentos e poderes de feitiçaria, que somente eram usados quando necessário. Tem também uma forte ligação com Oxumaré, considerado por ele como seu fiel escudeiro.

Assentamentos de Xangô e Obá no candomblé
Xangô é cultuado no Brasil sob 12 qualidades.
Vale salientar que muitos seguem cegamente as ditas qualidades de Xangô da Bahia, e não é bem assim: por exemplo, Airá é um outro orixá que não se dá com Xangô. Reza a lenda que Airá era muito próximo de Xangô, e quando Oxalufã, em visita ao reino de Xangô, foi erroneamente confundido com um ladrão, teve suas pernas quebradas e foi preso. Uma vez Xangô percebendo o engano, mandou que o tirassem da prisão, o limpassem e dessem a ele vestimentas condizentes com a grandiosidade de Oxalufã, porém Oxalufã estava viajando e teria ainda outros lugares para ir.


Por ser muito velho e agora com as pernas tendo sido quebradas, a locomoção havia sido afetada, fazendo que Oxalufã andasse curvado e muito vagarosamente. Xangô, então, mandou que Ayrá levasse Oxalufã nas costas até a próxima cidade. Ayrá, percebendo ali a sua grande oportunidade, durante o caminho se voltou contra Xangô, falando a Oxalufã que Xangô sabia que ele estava preso, acabando por ganhar a confiança de Oxalufã, que o tomou para si; razão pela qual Ayrá usa branco, mas não é um fum-fum. Xangô, que não suporta traições, se irritou com a atitude de Ayrá, cortando relações com ele. Desde então, eles jamais devem ser cultuados juntos ou mantidos na mesma casa.

As Qualidades de Xangô
As qualidades de Xangô são estas:
Afonjá - Afonjá, o balé (governante) da cidade de Ilorin. Afonjá era também Are-Ona-Kaka-n-fo, quer dizer líder do exército do império. Segundo a história de Oyo, no início do século dezenove, Oyó era governada pelo rei Aolé, ele possuía aliados que eram espécies de Generais, que lhe davam todo o tipo de apoio mantendo assim o poder absoluto sobre o Reino Iorubá e os reinos anexados. Mas um dia um desses generais resolveu se rebelar contra Oyo e se unir com os inimigos, esse general se chamava Afonjá que era conhecido como Kakanfo de Ilorin. Declarou-se independente de Oyo. Com isso o Rei de Oyo Aolé se envenenou para não ver o desmembramento do Império. Afonjá traiu o Império Iorubá, mas, quando, os rebeldes assumiram o poder, Afonjá foi decaptado em 1.823 pelo seu novo aliado.
Este alegou que, se um homem traiu seu antigo rei, ele voltaria a trair tantos outros.
Obá Kosso - Título que Xangô recebe ao fundar a cidade de Kossô nos arredores de Oyo, tornando-se seu Rei. Título dado também a Aganju, irmão gêmeo de Xangô quando de sua chegada em Oyo foi aclamado como o Rei Não se Enforcou, Obá Kô Sô.

Obá Lubê - Título de Xangô que faz referência a todo o seu poder e riqueza, pode ser traduzido como Senhor Abastado.

Obá Irù ou Barù - Título dado a Xangô logo após chegar ao apogeu do império, quando cria o culto de Egungun, é aclamado como a forma humana do Orixá primordial Jakutá sobre a terra, senhor dos raios, tempestades, do Sol e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destroir a capital do Reino numa crise de cólera e depois arrependido, se suicida, adentrando na terra.

Obá Ajakà - Também intitulado Bayaniym," O pai me escolheu ", que faz referência a ele por ser o filho mais velho de Oraniã, e ter por direito que assumir o trono, irmão mais velho de Xangô.

Obá Aganjù - Aganju representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos Vulcões.

Obá Orungã - Filho de Aganju Solá e Iemanjá, Orungan é dono da atmosfera é o ar que respiramos, dono da camada que protege a Terra. Ver mais abaixo.

Obá Ogodô - Muito falado também, é apenas o que se diz sobre Xangô, pois, Ogodô é o verbo bocejar. Então, quando está trovejando, o que se diz é que Xangô está bocejando. Dai Xangô Ogodô, é apenas um título de Xangô.

Obá Jakutá - Jakutá, é a representação da justiça e da ira de Olorun, míticamente Xangô foi iniciado para este Orixá sendo considerado como a forma divina primordial do mesmo. Ele foi enviado em sua forma divina por Olorun para estabelecer a ordem e submeter Oduduá e Oxalá aos planos da criação durante um momento de conflito entre as divindades. É o próprio Xangô.


Cuba
Changó (em português, Xangô) é uma das deidades da religião iorubá. Na santería, sincretiza com Santo Antônio.

 

Resumo

Changó é um dos mais populares orixás do panteão ioruba. É considerado orixá dos trovões, dos raios, da justiça, da virilidade, da dança e do fogo. Foi, em seu tempo, um rei tirano, guerreiro e bruxo, que, por equívoco, destruiu sua casa e a sua esposa e filhos e logo se converteu em orixá.

Orixá da justiça, da dança, da força viril, dos trovões, dos raios e do fogo, dono dos tambores Batá, Wemileres, Ilú Batá o Bembés, da festa e da música; representa a necessidade e a alegria de viver, a intensidade da vida, a beleza masculina, a paixão, a inteligência e as riquezas.
O Orisha

Changó é chamado Yakutá (o lançador de pedras) e Obakosso (rei de Kosso). Foi o quarto Rey de Oyo e também o primeiro awó, trocou o ashe (axé) da adivinhação com Orunmila pelo da dança, é dono também dos tambores Batá, Wemileres, Ilú Batá o Bembés.

Família
Foi esposo de Obbá, Oyá y Oshún. Foi filho de Obbatala e Aggayu Solá, mas em outros caminhos se registra como de Obbatalá Ibaíbo e Yembó ou de Obbatalá e Oddua, mas em todos os caminhos considera-se criado por Yemaya e Dadá. Irmão do último, Oggun, Osun, Eleggua e Oshosi

Oferendas
As oferendas a Changó incluem amalá, feito a base de farinha de milho, leite e quimbombó (quiabo), bananas verdes, banana indio, otí (água ardente), vinho tinto, milho tostado, cevada, alpiste, etc. Imola-se carneiros, galos, codornas, tartarugas, galinha de guiné, pombas, etc

Pataki (Itan) de Changó
Furioso com os seus descendentes ao saber que Oggún havia querido ter relações com sua própria mãe, Obatalá ordenou executar a todos os varões. Quando nasceu Changó, Elegguá (seu irmão) levou-o escondido para sua irmã mais velha, Dadá, para que o criasse. Em pouco tempo, nasceu Orula, o outro irmão.

Elegguá, também temeroso da ira de Obatalá, o enterrou ao pé de uma árvore e lhe levava comida todos os dias. O tempo passou e, um belo dia, Obatalá caiu enfermo. Elegguá buscou rápido a Changó para que o curasse. Logo que o grande médico Changó curou seu pai, Elegguá aproveitou a ocasião para implorar de Obatalá o perdão de Orula.
Obatalá cedeu e concedeu o perdão. Changó, cheio de alegria, cortou a árvore e, dela, entalhou um belo tabuleiro e junto com ele, deu, a seu irmão Orunmila, o dom da adivinhação.
Desde então, Orunmila diz: "Maferefum (benção) Elegguá, maferefum Changó, Elegbara. Também pela mesma razão a ékuele (moeda usada na Guiné Equatorial) de Orunmila leva, na soldadura, um fragmento do colar de Changó (branco e vermelho) por uma ponta. Desde então, Orunmila é o adivinhador do futuro como intérprete do oráculo de Ifá, dono do tabuleiro e conselheiro dos homens.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

CONHEÇA AFRICA PARTE 1 - DEUSA OBÁ




NOME: Obá ou Obasy, Orixá africana do Rio Obá ou rio Níger, 
Primeira esposa de Xangô


Guerreira, veste vermelho e branco, usa escudo, Arco e flecha Ofá. Obasy é a senhora da sociedade elekoo. 
Deste modo, obasy é a senhora da sociedade lesse-orixá. Obá representa as águas revoltas dos rios. As pororocas, as águas fortes, o lugar das quedas são considerados domínios de Obá. 
Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Trabalha junto com Nanã. Representa também o aspecto masculino das mulheres (fisicamente) e a transformação dos alimentos de crus em cozidos. 
É também a dona da roda. Orixá, embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Oyá, Oxumarê, Exú e Orumilá.


Lenda
Obá foi a primeira mulher de Xangô. Há duas versões para que tenha cortado a própria orelha: numa delas o fez por ter sido ludibriada por Oxum ; noutra, a intenção era puramente o sacrifício. Nas duas versões, Obá corta a própria orelha por amor a Xangô. Quando se manifesta nos terreiros, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são a espada, o escudo, o ofá e o erukere.
Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles. Obá teria derrotado Exú, Oxumarê, Omolú e Orunmilá, e tornou-se temida por todos os deuses, tendo sido derrotada apenas por Ogum, tornando-se assim sua esposa. Ao lado de Ogum, quando este foi enfrentar Xangô, encantou-se pelo oponente e abandonou Ogum para se entregar ao outro. Obá nunca havia visto alguém como Xangô, ela via nele tudo o que sonhava para si.
Existem algumas versões do grande encontro de Xangô e de Obá, em uma dessas versões ela é a líder de todas as mulheres e a rainha de Elekô, mas em todas, as evidências dizem que o amor entre os dois era desmedido e que nada ofuscava sua relação. Da união entre Obá e Xangô nasceu Opará, Orixá que em certos casos é sintetizada com Oxum.

Xangô e Obá
Outra versão para a união de Xangô e Obá transcorre em um culto nos arredores da cidade de Elekó. Uma sociedade restrita, onde apenas mulheres podem participar dos rituais. Obá é a fundadora desta sociedade que cultua a ancestralidade feminina individual. Nenhum homem poderia sequer assistir o ritual do segredo, sob risco de ser punido por Obá com a própria vida.

Certo dia, em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá, quando percebeu ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá. Xangô era muito curioso se aproximou da cena, para observar à espreita. Prontamente se encantou com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração Xangô foi notado. As mulheres o cercara, e ele foi levado à presença da orixá. Esta lhe comunicou que era grave sua falta e que o preço por violar o culto sagrado de Elekó era a morte. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza de Xangô, e relutou em aplicar a sentença de morte, usando de sua supremacia no culto para ditar nova regras: "Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte" Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado. A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elekó. Foi o inicio de uma grande paixão. A deusa guerreira e justiceira, que pune os homens que maltratam mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem que ia muito além do ódio. A rainha de Elekó aprendeu a amar e ser amada. Nasceu, dessa grande paixão, uma criança, uma menina, chamada Opará, bela, justiceira e feroz como os pais. Foi ela quem prosseguiu com o culto de Elekó.

Embora, em suas lendas, posteriormente Obá tenha se transformado em um rio, essa orixá também está relacionada ao fogo e é considerada por muitos como o Xangô fêmea, no que possui também as características desse orixá. Obá é saudada como o Orixá do ciúme no que tange os relacionamentos intempestivos entre casais. Obá é a deusa da guerra e do poder, seu culto está relacionado ao rio Obá, as águas em seu culto fazem referência aos afetos (cujo simbolismo, em outras mitologia, encontra correlações estreitas). Seu culto no Brasil é confundido ao de Oyá, em algumas versões, sua irmã.
Obá quando em fúria transborda, agita-se; Obá é a senhora da sociedade Elekô. Tudo relacionado a Obá é envolto em um clima de mistérios. Obá nasceu do ventre rasgado de Iemanjá após o incesto de Orugan. Era cultuada como a grande Deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudada como Ìya Agbà e mantém estreitas relações com as Iyá-Mi.
Obá é a Iyámi Egbé, ela é a Iyá Abiku. Desta forma é ela a encarregada de enviar ao mundo as crianças que nascem como castigo para seus pais. O que Xangô representa para os mortos masculinos, Obá representa para as mulheres mortas. Assim, ela é representante suprema da ancestralidade feminina.